Seu dinheiro: com Selic atual, como avaliar e decidir entre uma aplicação e outra?

SÃO PAULO - O Copom (Comitê de Política Monetária) divulgou, na noite desta quarta-feira (2), a decisão sobre a nova taxa básica de juros. Sem surpreender o mercado, o Comitê optou pela manutenção da Selic em 8,75% ao ano.


Desde dezembro de 2008, a taxa, que estava em 13,75% a.a., já caiu 5 pontos percentuais. Neste cenário, como escolher a melhor aplicação financeira?


É sabido que, com o rendimento menor, por conta do movimento da Selic, concentrar os investimentos na renda fixa deixa de ser uma boa opção para o investidor neste momento. Será a hora de voltar para a Bolsa? De acordo com Mauro Calil, professor e educador financeiro do Centro de Estudos e formação de Patrimônio Calil & Calil, é preciso avaliar o perfil do aplicador antes de tomar a decisão.


Voltar para a Bolsa


"No longo prazo, renda variável é melhor, já que o cenário da taxa Selic é de estável para queda", afirma o especialista.


Segundo ele, portanto, se a pessoa não tiver nenhum compromisso de curto ou médio prazo, a dica é investir em ações. "Para quem tem perspectiva de longo prazo, qualquer momento é bom para entrar na Bolsa, desde que o investidor estude bem a companhia, ou as companhias, na qual vai investir", explica.


De acordo com o professor, ao aplicar em ações, o investidor precisa avaliar alguns pontos: investir em empresas sólidas, com lucro crescente e recorrente, que atuem em mercados em expansão - que cresçam mais que o mercado - e que tenham boas práticas de governança corporativa. "Quando investe em ações, o investidor tem que ter clara a ideia de que ele será sócio da empresa e, para ser sócio de uma empresa, é ideal que ela dê lucro".


"No entanto, é importante deixar claro que, na renda variável, não é só para cima que vai", frisa Calil.


De investidor para investidor


Segundo o educador, avaliar prazos e objetivos é de extrema importância antes de escolher entre uma aplicação ou outra.


Para facilitar a análise do investidor, Calil comentou diferentes modalidades de investimentos, de acordo com diferentes perfis, no cenário atual:

Renda variável: como já dito anteriormente, para quem investe no longo prazo, "sempre será um bom momento entrar na Bolsa". De acordo com o professor, a dica para o investidor com este perfil é aplicar em ações ou fundos de multimercado.


Fundos de renda fixa: neste caso, a recomendação, segundo o professor, é ficar atento à taxa de administração. "Taxas superiores a 1,5%, provavelmente, perdem em rentabilidade líquida para a poupança", exemplifica. "A não ser que a pessoa tenha algumas grandes vantagens em manter uma aplicação com taxas superiores a 2%, por exemplo, vale rever a aplicação, sem esquecer de avaliar, claro, a tributação incidente na modalidade", completa.


Caderneta de poupança: aplicação ainda é um porto seguro para o investidor brasileiro, "pelo menos até o final do ano, se não houver nenhuma mudança".


CDBs: se o investidor conseguir, pelo menos, 97% do CDI, vale a pena. "Se não conseguir algo muito agressivo, é bom fazer as contas, pois talvez não valha a pena", comenta.

Fonte: Info Money